O “mito” da concordância verbal: existe uma “regra geral”?

Utilizar verbos na concordância dita adequada continua sendo uma espécie de indicador de “status” quase social.  Não é por acaso que se trata de um dos assuntos mais estudados por linguistas e gramáticos. Assunto muito cobrado em concursos públicos e até em recrutamentos para empregos.




Mas o que já existe de comprovação científica sobre o fenômeno da concordância verbal?

De acordo com Bagno (2013, p.219), está provado que:

– Não existe alguém que faça todas as concordâncias que a gramática tradicional considera como corretas. Nem mesmo naqueles textos tidos como “exemplares”, produzidos por pessoas que possuem um domínio “altamente monitorado” da língua.

– Há mais regras de concordância do que pensa a tradição gramatical; e

– as regras de concordância mais populares hoje são originais dos textos daqueles chamados “escritores consagrados”.

Dissemos que saber fazer concordância nominal ou verbal indica status social, porque esse domínio serve, segundo Bagno, para discriminar os falantes menos letrados.

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Qual é a regra geral da concordância verbal?

Ela existe e é esta: o verbo concorda com o sujeito.

Dessa forma, na frase

“eu entendi a regra de português”,

o verbo entender está na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito (traduzindo: está “apontando” para a pessoa que fala – eu – e no passado concluído), justamente para poder concordar com o sujeito (eu).

Para Bagno, contudo, a coisa não é tão simples assim. Por que?

– O verbo é o centro da atenção da frase (emunciado). Na verdade, o verbo “é quem manda”, e não o sujeito. Portanto, a regra deveria ser:

É o sujeito que deveria ser considerado como concordando com o verbo.

verbo e sujeito, por outro lado, e no fundo, não determinam a concordância verbal. A concordância é provocada  por características globais de morfologia e de sintaxe presentes em um texto.

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O que é preciso ensinar na escola?

Claro que, tanto na escola quanto na vida, devemos continuar atentando para a regra geral da concordância verbal. Mas sabemos que ela geralmente não se torna tão simples quando os enunciados não se apresentam na sequência usual (sujeito – verbo – objeto).

Assim, um dos papéis do professor será atentar para formas de falar ou escrever menos aceitas pela tradição, procurando corrigi-las adequadamente.

Exemplos:

“Os meninos ainda quer sorvete – Os meninos ainda querem sorvete”

“Nós o tempo todo insiste que era melhor não vir – Nós o tempo todo insistimos que era melhor não vir”

“Só eles que não sabia do problema -Só eles que não sabiam do problema”.

Bons estudos.

O “mito” da concordância verbal: existe uma “regra geral”?
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